Nutrição na gravidez: razões para incluir fontes de colina.


A ingestão adequada de colina é extremamente importante para o desenvolvimento cerebral do bebê, para a função placentária e hepática da mulher durante a gestação e lactação.

A mãe entrega grandes quantidades de colina, através da placenta, ao feto. Após o nascimento, o bebê recebe a colina atravez da amamentação.

A colina é encontrada em alimentos como leite, ovos e carnes. Os suplementos vitamínicos pré-natais não contêm uma fonte adequada de colina, sendo fundamental que, durante a gravidez e a lactação, a mulher tenha uma dieta que contenham quantidades adequadas de colina.

Diversos estudos apontam para a participação da colina em diversos processos críticos na gestação. Este nutriente é precursor da fosfatidilcolina, componente importante na mobilidade das membranas, lipoproteínas, bile e surfactantes. A colina também é um elemento necessário para formar acetilcolina, um importante neurotransmissor.

O metabolismo da colina está intimamente relacionado com o de várias vitaminas do complexo B e da metionina, principalmente na via de conversão do ácido fólico em sua forma ativa.


As quantidades requeridas de colina, folato e metionina estão todas interrelacionadas. A necessidade de colina é aumentada pela deficiência de metionina ou folato. O 5-metiltetra-hidrofolato (folato na forma ativa) pode ser o doador de grupo metil para a formação de metionina em uma via dependente de vitamina B12.

A fosfatidilcolina, fonte de colina, é formada no fígado, e o gene responsável pela sua síntese endógena (PEMT) é induzido por estrogênio durante a gravidez. No entanto, existem polimorfismos genéticos comuns que aumentam a necessidade nutricional de colina em muitas mulheres. A expressão do PEMT ocorre apenas em altas concentrações de estrogênio durante a gravidez.

Estudos ressaltam que mulheres jovens tem capacidade extra de sintetizar colina, tornando-as menos dependentes da ingestão de colina da dieta. No entanto, é importante reconhecer que a própria colina é uma fonte dos grupos de metil consumidos durante a produção de fosfatidilcolina pela via PEMT (colina → betaína → S-adenosilmetionina → fosfatidilcolina).

A capacidade extra para produzir colina no fígado é necessária porque a gravidez impõe grandes demandas nas reservas maternas de colina. A colina é ativamente transportada através da placenta e atinge concentrações de colina muito maiores nos tecidos fetais do que no sangue materno, cerca de 14 vezes mais.

Portanto, a principal via metabólica para a formação de novas moléculas de colina ocorre no fígado e a alimentação configura-se como uma fonte complementar importante de colina. Embora as gestantes se beneficiem de um aumento da síntese endógena, induzida por estrogênio, uma ingestão adequada de fontes de colina provavelmente será necessária para satisfazer suas demandas durante a gravidez e lactação.

Zeisel SH. Nutrition in pregnancy: the argument for including a source of choline. International Journal of Women’s Health. 2013;5:193-199. doi:10.2147/IJWH.S36610.


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